8.7.05

SOBRE A INGLATERRA 

Na velha querela entre francófilos e anglófilos, pendo claramente para o lado dos primeiros. Por muitas e variadas razões. Vivi um ano em Paris; e para além dessa estada, já demandei a cidade mais de vinte vezes. Se aqui o lavro hoje, tão frontalmente, é porque (como virou moda dizer) ontem fomos todos ingleses, assim como no ano passado fomos todos espanhóis — e em 2001 fomos todos americanos. Em quatro anos, mudámos de nacionalidade umas poucas de vezes! Isto não é jus solis, nem jus sanguinis — é jus outra-coisa-qualquer de que agora não me recordo.
Nada me propende, porém, contra a Inglaterra. Creio até que, ao contrário do que se julga, as ligações que temos à velha Albion não purpuram as faces de pejo quando cotejadas às relações com a França. Que livro interessante se não faria sobre a Inglaterra em Portugal e Portugal na Inglaterra! Atropelam-se-me os tópicos — o Magriço e os Doze de Inglaterra, o Palmeirim, os arqueiros ingleses, S. Jorge, Aljubarrota, a Batalha, a grande aliança, D. Filipa de Lencastre ("humano ventre do Império"), a ínclita geração de altos infantes; a rainha D. Catarina, Carlos II, o marquês de Sande, o Castelo Melhor; a batalha do Buçaco, as linhas de Torres, Sidney Smith, Lord Strangford; o vinho do Porto, o tratado de Methuen, o Pombal, Wellington, Beckford, Byron, o Eça em Newcastle e Bristol, o ultimato; D. Manuel II, a Grande Guerra, o Armindo Monteiro, os espiões da II Guerra Mundial, o Mundial de 66, o José Mourinho... etc. Um longo etc. Encadeiam-se os dados, esboçam-se os capítulos, assomam as reflexões, os comentos, as deduções.
Em Londres estive apenas duas vezes. No total, para aí uns 12 dias. Senti-me mais londrino ontem ao ver pela TV a cidade atacada do que a passear pelas ruas da City nas referidas vezes. De Londres a Erivan, de Lisboa a São Petersburgo — a Europa inteira range sob o signo da ameaça islâmica.

  • Comentários:
    I vote for London... Por motivos que um dia explicitarei num postal.
     
    Pois eu, vendo estas tristes imagens que chegam da Capital do Reino Unido, tenho sentido profundas saudades daquela magnífica Cidade; e, principalmente, daquele maravilhoso Povo britânico que faz - Ele sim - do «antes quebrar que torcer» o Seu Lema. Gente antiga, culta, firme, irónica, elegante e vertical. E com belíssimas jovens mulheres (até aos 21 anos, são imbatíveis!).
    As afinidades luso-britânicas que o BOS destacou consubstanciam-se, também, no facto de virem, desde sempre, da Grã-Bretanha e da Irlanda a maior parte das principais pessoas e famílias europeias que escolhem viver em Portugal. Assim tem sido, desde Dom Afonso Henriques, e esperamos que continuem a vir - agora, para ajudar a Refundar Portugal!

    Um abraço,
    Mendo Ramires
     
    De Londres a Erivan, meu amigo! É isso que é preciso definir - quem somos. Não podia estar mais de acordo
     
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