22.4.08
A EVOLUÇÃO ORTOGRÁFICA
A ortografia portuguesa foi sempre um tema discutido e tratado. Ao longo de séculos, a «norma» evoluiu, sem ser necessária a intervenção do Estado ou a celebração de «acordos bilaterais».
Aos debates compareceram pontualmente a corrente etimológica e a linha fonética tradicional, representada desde o século XVI por Fernão de Oliveira e João de Barros, que interpretaram ipsis litteris a lição quintiliana segundo a qual deve escrever-se como se fala.
Entre polémicas e arrufos, o português espalhou-se pelas quatro bocas do mundo, evoluindo sem «reformas» nem «convenções» nas propostas de Duarte Nunes de Leão, Manuel Severim de Faria, Bento Pereira ou Rafael Bluteau, nomes que os modernos parece ignorarem, como de resto ignoram tudo, salvo as lições espantosas do Lindley Cintra e do Malaca Casteleiro.
Ainda antes da fundação da Real Academia das Ciências de Lisboa, que ocorreu em 1779, no reinado de D. Maria I, distinguiu-se a obra "etimologizante" do jesuíta João Madureira Feijó, que publicou em 1734 o imprescindível «Orthographia ou arte de escrever e pronunciar com acerto a língua portugueza». Mas as páginas eruditas de Feijó não resistiram às reformas pombalinas, que baniram o jesuíta da instrução e das bibliotecas.
Foi com Pombal (Sebastião José não falha uma) que ganhou vantagem decisiva a corrente "fonetizante" — sendo já com tal cunho que surgem a Academia das Ciências pela mão do Duque de Lafões, as conferências do Conde da Ericeira, e a influente «Academia Orthográfica Portugueza», fundada por Pinheiro Freire em 1772.
Já no século XIX, publicam-se as «Bases da Orthografia Portuguesa» (1885), de Gonçalves Viana e Vasconcelos Abreu, que constituem a matriz fundadora da reforma de 1911. Daí para a frente já conhecemos a história.
Aos debates compareceram pontualmente a corrente etimológica e a linha fonética tradicional, representada desde o século XVI por Fernão de Oliveira e João de Barros, que interpretaram ipsis litteris a lição quintiliana segundo a qual deve escrever-se como se fala.
Entre polémicas e arrufos, o português espalhou-se pelas quatro bocas do mundo, evoluindo sem «reformas» nem «convenções» nas propostas de Duarte Nunes de Leão, Manuel Severim de Faria, Bento Pereira ou Rafael Bluteau, nomes que os modernos parece ignorarem, como de resto ignoram tudo, salvo as lições espantosas do Lindley Cintra e do Malaca Casteleiro.
Ainda antes da fundação da Real Academia das Ciências de Lisboa, que ocorreu em 1779, no reinado de D. Maria I, distinguiu-se a obra "etimologizante" do jesuíta João Madureira Feijó, que publicou em 1734 o imprescindível «Orthographia ou arte de escrever e pronunciar com acerto a língua portugueza». Mas as páginas eruditas de Feijó não resistiram às reformas pombalinas, que baniram o jesuíta da instrução e das bibliotecas.
Foi com Pombal (Sebastião José não falha uma) que ganhou vantagem decisiva a corrente "fonetizante" — sendo já com tal cunho que surgem a Academia das Ciências pela mão do Duque de Lafões, as conferências do Conde da Ericeira, e a influente «Academia Orthográfica Portugueza», fundada por Pinheiro Freire em 1772.
Já no século XIX, publicam-se as «Bases da Orthografia Portuguesa» (1885), de Gonçalves Viana e Vasconcelos Abreu, que constituem a matriz fundadora da reforma de 1911. Daí para a frente já conhecemos a história.
Etiquetas: Acordo Ortográfico
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