15.4.08
RAÇAS PERIGOSAS
"Um cão que tudo morde se diz violento, mas não se dizem violentas as trelas que o oprimem." (Brecht da Ameixoeira)
O despacho sobre a proibição de cães de raças perigosas enferma de cinofobia e constitui um exemplo deplorável de discriminação racial.
O despacho sobre a proibição de cães de raças perigosas enferma de cinofobia e constitui um exemplo deplorável de discriminação racial.
Em primeiro lugar, não há raças. Assim o demonstra a ciência através das descobertas sobre o genoma e os estudos de ADN. Depois, sabemos também, senão desde Rousseau ao menos desde o Padre Américo, que não há cães maus. Publicaram-se estudos respeitáveis sobre a bondade natural dos cachorrinhos. O quadrúpede é naturalmente bom; a sociedade é que o corrompe.
Assim, o infeliz despacho que prevê a proibição de sete raças e de todos aqueles que resultem do cruzamento das mesmas, viola a dignidade da espécie canina. Todos os au-aus nascem livres e iguais em direitos. Todos eles merecem respeito e um cantinho próprio na História Universal. Do Beautiful Joe de Margaret Marshall Saunders à Lassie da TV; do Rantanplan aos 101 Dálmatas; da pastora Blondi, que não resistiu ao fim do III Reich, à austronauta Laika, que derreteu na nave soviética. Só há raças perigosas de duas patas.
Comentários:
Por falar em raças perigosas, o pitbull, o jogador do vitória de Setúbal, está a ser alvo de uma perseguição que visa o seu abatimento .
Para minha pena, hoje ele não mordeu os jogadores do FCP.
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Para minha pena, hoje ele não mordeu os jogadores do FCP.

